segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Aonde foi parar a cor que esteve aqui?

   Caminho pelas ruas e observo o céu: cinza e frio, com nuvens amontoadas indicando possível chuva. Reparo no chão e vejo um tom de cinza mais escuro ainda. Olho para os lados, observo as casas, e eis que vejo cores distintas, mas não variam mais do que cinza, branco, e bege.Vejo carros, pessoas, e é sempre igual, a mesma monotonia de cores, rareando entre um vermelho ou azul tímido, o qual não quer se fazer notar.
   
    Tempos antigos ao que ocorre hoje é muito distinto: cores vivas em casas, em veículos, ruas floridas e repleta de árvores, onde o asfalto ainda era novidade e o chão de terra batida ou com pedras. Hoje demora-se a ver cores, não fossem as fachadas de lojas, e painéis de led ofuscantes vistos à longa distância. Raramente se vê flores e árvores floridas, pois o que há é muito pouco, menor ainda quando não é notado.

    Um dia desses, reparei que uma casa típica de imigrantes europeus na minha cidade, anteriormente pintada com cores vivas, foi tomada pela cor pálida do bege. É um tanto triste saber que as pessoas não tem mais interesse de restaurar e manter como era nos tempos antigos, mas sim adaptar as coisas para essa época.

    Me peguei pensando ultimamente que não conseguiria viver sem cores alegres. Sem cores no meu quarto, sem objetos decorativos alegres, e muito menos vestimentas sem variações em cores. A cor tem poderes, sejam emocionais ou convincentes. Não é à toa que é usado e abusado em combinações publicitárias. Seja o azul para representar conforto, o vermelho para simbolizar paixão e luxo, rosa para o amor e representando muitas vezes o sexo feminino, o amarelo para a fome, etc.  Somos muitas vezes motivados ou induzidos a algo pelas cores e sequer notamos.

    Ao perceber casas coloridas, bem cuidadas e com muitos apetrechos decorativos, as associamos à uma pessoa idosa. Mas por que uma pessoa idosa? Ora, geralmente um idoso é aposentado e cuida muito bem da sua residência, pois é o momento em que tem tempo e toda a paciência que lhe aprouver para tais feitios. É um tanto contraditório, viver correndo contra o tempo e só o encontrá-lo nos anos finais da vida. 

   Antigamente percebia-se cores em todos os lugares, como citei anteriormente, mas com uma diferença: havia fotografias somente no preto e branco. Hoje vemos cores frias, desprovidas de emoções alegres, mas com fotografias coloridas, o qual quase todas as pessoas têm acesso. Um tanto confuso, não?!

    O Natal, surgido não apenas para comemorações religiosas, mas principalmente trazer mais movimento no comércio, foi-se prolongando durante muitos anos, como motivo de tradição em reunir a família e confraternizar. Algumas árvores nos jardins de umas pessoas era todo colorido com pisca-piscas e bolinhas cintilantes, a parte frontal das casas eram com estrelas brilhantes ou cascatas que piscavam ao longe. Mas não é o que vemos hoje em dia, pelo menos em minha cidade, o qual até o "espírito natalino" está se extinguindo aos poucos.

    As cores, as tradições, e os costumes se perdem. E o que fica? A tecnologia que aos poucos degrada  o planeta e aliena algumas pessoas. A tecnologia que cria uma zona de conforto com o qual a pessoa não se importa com muita coisa, além de fazer sucesso em uma rede social e se fazer notado. Uma cultura globalizada reinará (como quase não tivesse reinando nos dias atuais), as pessoas se tornarão padrões. As pessoas se tornarão robôs.

    
    
    

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Onde se esconde a sensibilidade?

   Todo o dia é dia de correria: sai de casa correndo pra não perder o horário, sai do trabalho correndo pra chegar em casa porque passa o dia todo ansiando por este momento, e chega em casa e não faz nada... enfim, o dia se resume em fazer algo apressadamente para poder aproveitar outro momento. Mas e esse momento tedioso do dia, por que não o aproveita também? O dia se resume em aproximadamente 16 horas aproveitáveis, e você vai passar mais da metade dele  reclamando do que faz, que poderia estar fazendo o que maios gosta, que poderia estar relaxando?

    As cidades/estados/países estão perdendo sua identidade, ao passo que sua cultura e sua etnia eram bem definidas, hoje há um padrão que impera nesse mundo globalizado. E é um padrão pra tudo: língua, construções, roupas, costumes, culinária, etc.

   Imagine se uma pessoa qualquer for inserida em um lugar sem lhe dizerem onde é, e pergunta-se à ela: em que lugar você está? Ela supostamente não saberia dizer, salvo alguns vestígios que se for feita uma pesquisa minuciosa de detalhes culturais pelo local ela saberá, mas mesmo assim, se confundirá (principalmente se for num país multiétnico como o Brasil).

   O mundo está humanizado, mas mesmo humanizado ele perdeu um tanto da sua humanidade...confuso, não? E além do mais, um tanto de sua sensibilidade também, o que antes era cheio de coisas demoradas e bonitas (no caso de feitos humanos como construções e objetos), hoje dá espaço as fábricas, ao rápido, ao mais barato, e consequentemente (olha essa palavrinha aqui de novo) ao padrão.

   Recentemente assisti ao filme La Belle Verte, que é um lindo filme francês que trata de humanos que moravam em um dado planeta, e eles evoluíram a tal ponto que vivem em perfeita harmonia com a natureza. Curiosamente eles faziam excursões para outros planetas para observá-los e até melhorá-los em seu processo evolutivo. E à 200 anos  ninguém queria vir à Terra, e eis que um dia uma mulher decide se voluntariar. 

  Uma cena me instigou e ficará marcada em mim: quando essa mulher chega aqui, ela se choca com uma sociedade um tanto debilitada e um mundo sem muita natureza, muito humanizado (pois o lugar que ela chega é bem no centro de Paris.) Humanizado de tal forma, que quando pisa no chão o estranha, porque não sente a terra, a grama, o que sente é apenas cimento e piche. Me peguei caminhando um dia desses no centro da minha cidade e pensei em como seria estar no lugar dessa mulher, olhei o chão sem muita natureza, coberta por uma espessa camada de cores frias e tristes, e me deparei com um sentimento de vazio, de pisar em algo um tanto que surreal, e é claro,  literalmente não o sentir, pois o pisei com calçado.

   E não somente em coisas grandes, mas principalmente em coisas pequenas que a sensibilidade humana está se perdendo. Mesmo em uma cidade sem muita natureza, o pouco de natureza que há já causa muita admiração principalmente para os sensitivos, mas não precisa ser sensitivo pra notar que tem uma bela árvore florida no meio do caminho. O problema como citei no início, é a pressa e a preocupação com coisas distantes, isso nos tira do agora de tal maneira que quando passamos por algo simples e belo, nem o notamos.

   As pessoas estão muito antenadas e um tanto alienadas na tecnologia. Você tropica e BUUUM! Olha ali um adolescente com um celular mais "modafoca" que seu. E o que ele faz com ele? Só tira fotos do seu umbiguinho em fase de puberdade. E não é somente os adolescentes não, o quanto eu vejo de jovens da minha idade e até mais velhos, principalmente mulheres (porque mulher gosta muito mais de tirar selfies suas, mais do que os homens) tirando umas 500 fotos de si mesma: "Eu a 180° para leste, eu a 180° para oeste com vento, eu a 45° ao sul com sol no rosto", e blá blá blá.

   Me decepciono um pouco quando vejo um amigo e/ou conhecido que tem um perfil no Instagram e me deparo com um book de selfies incrivelmente idênticas. Tudo bem que cada um tem sua conta e faz o que quiser com ela, mas isso chega a ser monótono e cliché.

   Temos nossa rotina e correria diária, mas nada mais gostoso e prazeroso do que parar um pouco dela e reparar em lugares e coisas inusitadas, coisas que são um tanto esquecidas por nós: sentir a brisa fresca de um anoitecer, observar o por do sol quando não tem muitas nuvens, sentir o cheirinho de chuva ao cair sobre a terra, observar o brilho da lua e das estrelas, ver aquela flor e/ou árvore no jardim alheio, enfim, admirar e agradecer tanta coisa bonita que temos!

   Um dia desses estive caminhando pela minha cidade e me deparei com um senhor simples que estava com um saco cheio de latinhas, aí o cumprimentei com um simples bom dia, e a resposta que tive foi nada mais que um animado bom dia com um singelo sorriso no rosto.  Logo após, fui em um estabelecimento rotineiro, que vou todos os dias à trabalho, e cumprimentei com um bom dia (como faço todas as manhãs) uma pessoa de lá, e ela me respondeu com um monótono e entediado bom dia.

   Um bom dia deveria ser regra, nada mais gostoso do que começar o dia e receber desejos de bom dia, mas não o fazem regularmente... como se tivéssemos vivendo em meio à desconhecidos a todo o momento. E isso estristesse um pouco, pois muitas pessoas conhecidas passam por nós e nem reparam, e alguns sequer se dão ao trabalho de cumprimentar, muito menos parar pra conversar.

   Dê mais valor à natureza, as pequenas coisas, as pessoas simples, ao gestos, as gentilezas, e principalmente: seja gentil. Não deixe que sua humanidade e sensibilidade se percam por aí... pois dos valores humanos, eles são uns dos mais importantes e bonitos.

   
    
    
   

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Mas e então, o que seria o amor?

  No sentido literal, o amor é facilmente explicado como afeto, paixão, e a formação de um vínculo emocional com alguém, que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação, segundo a Wikipédia.
    
   E esse sentimento se dá de vários modos, como o relacionamento homossexual ou heterossexual entre duas pessoas; o amor que uma mãe sente ao filho que gerou no seu ventre ou que adotou; o amor entre um humano e um animal; o amor entre amigos, todas elas são formas de amor, cada qual no seu modo. E sendo assim, literalmente falando, amamos muito.
    
   Mas e pra você, qual a definição do amor conjugal? Está aí uma pergunta que fica divagando em nossa mente. Bom, para mim o amor é além da explicação do primeiro parágrafo, é um comprometimento, é um contrato que ambos assinam de doar-se e receber, e não doar-se por metades, mas sim, por inteiro.

  E para estabelecer esse contrato, ambos devem ter a mesma definição do amor? E se eles tivessem conceitos diferentes e amarem-se, simplesmente? Dependendo da situação, o sentimento acaba, pois normalmente queremos a reciprocidade, e se eu dou aquilo que não vou receber, ou recebo aquilo que não vou dar, não vale a pena para ambos, insistir.

   Já parou pra pensar se aquele casal de velhinhos que passam de mãos dadas na rua, ou aquele outro que passa discutindo, ainda se amam? Pode ser que o amor que tinham desde a jovialidade foi transformado em um afeto ainda maior para com o outro, e a força do vínculo foi distribuído em seus filhos e consequentemente, em seus netos. Será que em algum momento eles queriam desistir de tudo e buscar em outro alguém a felicidade? Será que o amor, um dia, foi transformado em raiva e outros sentimentos? O estar junto, não seria apenas para manter o status de casal dentro da normalidade e não desapontar os laços familiares?

   Há várias possibilidades de imaginar como um casal que agora está idoso, chegou onde está. Mas devido o passar do tempo e a mudança de conceitos, a ideia de relacionamento mudou: nada de o rapaz jogar pedras na janela do quarto da moça para chamar a atenção, convidá-la para dançar em um baile, ou ir ao um encontro levando flores e blá blá blá. Agora é só adicionar a moça pelo Facebook ou Whatssapp mantendo um diálogo intenso, chegar na moça em uma festa ou balada e já sair nos amassos, etc. O delicado e romântico deu lugar a praticidade e o julgamento facial e corporal. 

   Não digo que este conceito atual está errado, pois na época em que vivemos, se o rapaz fizesse igual antigamente como jogar pedras na janela da moça para chamar a atenção, seria considerado um ridículo, e nos casos mais extremos, o pai da moça sairia com uma espingarda na mão.

   É só parar para pensar nos ritmos e melodias que os jovens atuais costumam ouvir. É tudo basicamente incitando explicíta ou implicitamente a pegação e o sexo. É muito difícil saber se aquela pessoa que você gosta e está "pegando" só quer um caso ou um relacionamento sério, e os sentimentos se confundem. Aí quando acaba é um choro pra cá, um foda-se de lá...

   Eu sou totalmente a favor de encontros casuais. Por que não curtir um tempo com alguma pessoa legal sem ter um compromisso com ela? Mas um encontro casual desde que seja um acordo mútuo e entendimento entre ambos, nada de iludir a pessoa, dar-se a entender que ama ela só para no fim, transar. Pois com sentimentos e pessoas não se brincam.

   O amor, assim como a felicidade, um dia acaba, e também assim como ela, começa novamente. É um ciclo contínuo. O dito amor verdadeiro pode aparecer várias vezes na vida de uma pessoa, basta ela permitir-se, não ter mágoas e não ter medo de ser feliz. E aquela procura intensa desse amor verdadeiro? Balela! O amor vem, acontece, simplesmente. 

   Sendo assim, somos condenados a amar e a procriar em sociedade? Talvez. Nossa passagem pela vida não seria mais simples se não tivéssemos tais sentimentos? Seria simples, mas seria vazia. Queremos emoção, prazer, queremos dividir uma vida com alguém e preencher um vazio que nós mesmos criamos. Queremos amar, e sermos amados.
   
   

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Os opostos não se atraem

  O único lugar em que a frase "Os opostos se atraem" é corretamente colocada, é no caso dos prótons e elétrons, posteriormente com cargas opostas (positivas e negativas), cientificamente. Mas o que venho falar por meio desde texto não é sobre ciência, e sim relações na sociedade.
   
  Em partes, no assunto que vou falar, essa frase pode estar correta. Por exemplo: você é atraído fisicamente a uma pessoa totalmente oposta a você, está gostando dessa pessoa, mas não se sente bem com ela a ponto de ter uma relação duradoura. Você é atraído rapidamente, mas da mesma forma é repelido, pois uma relação não dura somente com atrações físicas.

  Tempos atrás, em diversas nações, o casamento era arranjado: os pais escolhiam o(a) pretendente pelas riquezas e posses ou para ganhar influência política. Devia ser horrível passar a adolescência criando expectativas e ilusões sobre a pessoa com quem casar e depois se frustrar com o pretendente que lhe foi arranjado, e pior ainda, passar o resto da vida com essa pessoa. Algumas pessoas conseguiram reverter o quadro acabando por gostar do parceiro, outros já não tiveram tanta sorte assim, tiveram que aguentar a "sorte grande" pelo resto da vida.

   Tempos atrás e até em alguns casos atualmente, o casal mal se conhece o suficiente e já vai viver uma vida de casado. Às vezes isso é uma consequência da gravidez, mas fora isso, acho que viver uma vida de casado no início do relacionamento não seja algo bom, principalmente para o próprio relacionamento.

  O namoro é um tempo de descobertas, as coisas e o parceiro podem parecer mais bonitos nesse tempo, principalmente no começo, mas devagar você vai vendo os defeitos do parceiro e aprendendo a tolerar. Mas se for visto muito rapidamente, o relacionamento pode não durar muito, pois pode ser uma frustração, quebrando o encanto e a paixão explosiva do início.

 Conheço pessoas que tiveram relacionamento de até 8 anos, e só depois estão vivendo uma vida definitivamente como casal, morando juntos. Apoio totalmente esse conceito, pois viver uma vida de casal é muito difícil principalmente quando se é muito jovem, você acaba perdendo muitas coisas e terá que dividir atenções e tempo com seu parceiro, e isso será muito pior se o relacionamento não durar.

  Como indivíduos de personalidade e de diversos interesses e gostos, nos aproximamos das pessoas parecidas conosco, é óbvio, porque pra nos sentirmos bem é só fazendo o que gostamos com pessoas que nos damos bem. 

   Se você é uma pessoa festeira que adora sair todo final de semana e conhecer muitas pessoas, pode ser um tédio horroroso passar o final de semana vendo o trilogia do Senhor dos Anéis ou a saga do Star Wars na casa de alguém, e vice-versa.

   Com o uso das redes sociais, você procura ter um conhecimento inicial da pessoa, se tem os gostos e personalidades parecidos, e acaba tendo conversas iniciais, ainda sem se conhecerem pessoalmente. E aí se gostar ainda mais pessoalmente, pode ser que daí nasça um relacionamento duradouro.

   Não vá achar que está feliz na sua relação levando o conceito de que vai aprender a gostar da pessoa com o tempo. Você vai perder parte de sua vida criando uma expectativa que pode não dar certo. O mundo é cheio de pessoas para você conhecer e a vida é (poderá ser) longa para achar que nunca vai conhecer o parceiro com quem vai passar boa parte da sua vida.

   Podemos nos atrair por várias pessoas tanto no setor amoroso quanto nas amizades, mas não se deixe enganar, atração não é tudo. Não julgue uma pessoa que você não conhece realmente por não ter os mesmos gostos que você e por se sentir  repelido à ela, pois muitas pessoas são incríveis, a seu modo.
   

sábado, 6 de dezembro de 2014

Um monstro chamado machismo

  Em uma época onde se há uma busca de direitos e igualdades diante a homofobia e o preconceito aos ateus, principalmente, ainda temos um monstro de longa data um pouco mais oculto que os demais: o machismo.
   
  Mulheres que viveram e lutaram contra uma época dominada pelo machismo em meados dos anos 80, provavelmente dizem que a nova geração de mulheres está em uma zona de conforto, pois os direitos e igualdades lutados por elas naquela época, já foram conquistados e não há mais com o que lutar e discutir. Mesmo com mulheres dentro de escolas, universidades, no meio do mercado de trabalho, ainda há preconceito, não somente nesses ambientes, mas principalmente no próprio lar. 

  Isso começa desde a infância quando determinam sexo por cor (o famoso rosa e azul); brinquedos incentivados a futuras tarefas como: menina com boneca representando uma futura mulher cuidando do filho; menino brincando de carrinho imaginando seu futuro como motorista; menina brincando de casinha; etc.

   O menino não tem o mesmo direito da menina de brincar de casinha, ou com a boneca? Ele não seria um futuro homem com o qual terá que lidar e aprender com coisas como atividades domésticas e ser pai? A menina não pode brincar de carrinho também, imaginando seu futuro como motorista e mulher independente? Podem parecer brincadeiras inocentes, mas por trás há esteriótipos ocultos.

   Brinquedos e brincadeiras não devem ser somentes práticas incentivadoras para um futuro não tão distante, há coisas que somente devem ser aprendidas quando tiverem idade e quando for realmente necessário. O que é vital para crianças em fase de desenvolvimento é incentivar a brincadeiras que estimulem a inteligência, a descoberta, e a criatividade. Essa fase é muito curta, não se deve disperdiçá-la forçando-os a aprenderem coisas desnecessárias no momento.

  Em uma simples compra em uma loja, normalmente quando uma pessoa vê algo de determinada cor pergunta se não tem para menino ou para menina. Aí vem a pergunta: cor determina sexo? Infelizmente para muitas pessoas a resposta é sim. Lembro-me de uma vez  ter ido em uma loja atrás de um par de tênis, e o que mais me chamou a atenção era um que estava na sessão masculina. Falei pra vendedora que queria aquele, mas ela me repreendeu falando que era para homem, fui insistente e fiquei com o par falando que era verídico que era unissex. 

    Dou graças aos modelos e cores unissex, pois nem todas as mulheres gostam de tudo feminino, gostam de coisas casuais e simples também, mas nem por isso deixará de ser mulher. 

   Na minha opinião, o que diferencia um homem de uma mulher além do órgão genital e de diferenças físicas, é de que a mulher é um pouco mais sentimental que o homem e ele tem de ser mais racional, mas isso depende, há pessoas e casos, pois há homens muito sentimentais e mulheres muito racionais.

  A cantora Madonna deu um grande salto e mudou totalmente o cenário feminino no mundo das celebridades. Em um momento em que as pessoas começavam a dar espaço ao gênero feminino, com músicas sensuais, estilo sexy, videoclipes e performances ousadas, Madonna foi um choque sendo muito criticada, principalmente por pessoas e familias conservadoras que diziam que suas músicas promoviam o sexo antes do casamento e comprometiam os valores da família.

   Ela foi influência principalmente por ter popularizado a imagem de mulher poderosa e sexy, criando uma ideia de liberdade, desconstruindo a ideia de que a mulher deve ser somente uma pessoa devotada à familia.

   Muitas pessoas ainda tem aquela ideologia machista de que mulher não pode isso, aquilo, porque é feio, imoral, etc, mas então quer dizer que só o homem pode? Mulher bebendo é feio, mas homem chegando bêbado em casa e possivelmente maltratando a família é bonito?
 
   Muitas famílias conservadoras repreendem suas filhas adolescentes quanto ao sexo. Fogem totalmente do contexto real do significado, alguns mais religiosos dizendo que é pecado antes do casamento, e outros dizendo que sexo só traz filhos, dando um temor à adolescente sem que ela pratique com prazer e sem medo.

   Sabemos que é constrangedor falar com os filhos com algo tão complexo quanto o sexo, mas dar-se-a transmitir que aquilo não é bom, que tira os valores da pessoa, é pior do que não falar. É bom que pais e campanhas ensinem ao jovem de que a proteção é totalmente necessária e vital, pois muitos sem o mínimo conhecimento de uma relação sexual muitas vezes levados pelo momento, tomam atitudes imaturas que poderão transformar totalmente o futuro daquele jovem.

  Conheço algumas pessoas que se sentem inferiores quanto ao homem no quesito relação sexual, transformando o homem ativo em um monstro que quer sexo a todo momento. Esse pensamento quebra um pouco um bom relacionamento, pois uma relação sexual saudável é vital em um relacionamento, melhora a intimidade e o companheirismo do casal. A mulher não precisa repreender seus desejos, muito pelo contrário, deve aproveitar, conhecer novos métodos e inovar, pois isso não somente melhora seu desempenho, bem como a relação.

   Assim como há homens feministas, há mulheres machistas. O segundo caso vem de gerações, costumes e cultura, há pessoas que acompanharam essa mudança no cenário feminino e mudaram suas ideologias, mas há outras que não, infelizmente pararam no tempo e não há o que mudem ou que os façam repensar um pouco sobre o assunto.

   As mulheres podem sim estar um pouco em uma zona de conforto quanto a busca de direitos e igualdades, como dito no início desse texto, mas atualmente lutar contra o machismo está sendo uma luta individual, dentro de casa, principalmente. Como vindos de uma geração que já veio com o conceito de igualdade entre os gêneros, há muito choque com os das gerações passadas.

   Você mulher, não se deixe levar por ideologias e opiniões machistas, ame alguém que lhe trate como igual, que lhe respeite e lhe dê seu devido espaço, uma relação amorosa não é aquela em que o homem é responsável por proteger e cuidar da mulher, mas sim ambos terem afeto, carinho e proteção ao outro em uma mesma medida.

   E por fim, não seja preconceituosa quanto à mulheres mais liberais, pois cada um tem direito e  faz o que bem quiser, sem precisar dar satisfações à terceiros.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A necessidade de coisas especiais

  Já parou pra pensar a quantidade de dias que têm uma descrição especial que é comemorada ou é apenas lembrada? Dei uma olhadela rápida em um site, e deu pra notar que praticamente todos os dias são dias de algo, ou mais precisamente, algos.

  E aí me pergunto: qual a necessidade de tais fatos com tanta frequência? Seria para nos lembrarmos de tantos feitios, profissões, sentimentos, religiosos (praticamente todos católicos), etc., que nosso cérebro um tanto esquecido não seria capaz de lembrar que existem?

  Quase todo o mês tem uma data comemorativa maior estimulada pela mídia. Explodem-se as "promoções", vitrines elaboradas na temática, e se permitirmos, poem-nos na nossa consciência uma obrigação, ou melhor, empoem-nos uma lei de lembrar e presentear, anteriormente ou precisamente na data.

   Isso é tão bem elaborado que caímos direitinho, por exemplo: algumas pessoas mais próximas esquecem de nossa data de aniversário, ficamos um tanto chateados. E isso acontece por que? Porque já acostumemos desde nossa infância receber um abraço e/ou um presentinho de algumas pessoas quando completamos mais um ano de vida, que se esquecerem de tais atos, sentiremos falta.

   Ninguém é obrigado a lembrar ou presentear na data pré-estabelecida. Essa ideia de tornar as coisas mais especiais tornam-as clichês, deixando a normalidade de lado. Não seria legal e estimulante ver vitrines de lojas mais criativas, com temas amplos sem compromissos com datas comemorativas; ser elogiado e receber palavras de carinho e estímulo a qualquer data e hora; e receber surpresas como presentes ou atos gentis de pessoas mais próximas?

  Quantas coisas que esperávamos ou planejávamos serem especiais foram furadas, às vezes tão furadas que mudaram todo o sentido da coisa? O Universo não é todo a nosso favor, imprevistos acontecem sempre, nas horas menos esperadas.

   Lembra como foi seu primeiro beijo? E aí, foi um beijinho doce, digno de honrarias ou uma melação horrorosa que você nem prefere lembrar? Coisas como essa, que quando ocorrem pela primeira vez, não têm necessidade e obrigatoriedade de serem especiais. Como sendo primeiras, podemos não estar tão preparados de  imediato, podem não serem dignas de títulos e honrarias, mas com o passar do tempo, tornam-se especiais, porque você buscou melhorias e aperfeiçoamento.

  Toda essa geringonça de especialismo tornam as coisas supérfluas, fazendo com que esqueçamos de apreciar as coisas e as pessoas sem compromisso e a qualquer momento. Assim como no pôr do sol que varia a coloração e a intensidade a cada dia, assim são os momentos, em constante diferença e mudança. Há alguns  tão pequenos e nem tão bons assim, que não chegam a passar da memória de curto prazo, aquela que tem duração de segundos ou minutos.

  Para que se importar tanto em planejar e tornar as coisas em especiais se não lembraremos delas afinal? Temos tantas coisas em constante movimento de entra e sai em nossa memória, que o mais provável é teremos fragmentos e flashes quando tentar lembrarmos. 

  Cada dia é um dia diferente, não é o destino que o faz, mas sim suas energias e ações. Fazer com que as coisas se tornem especiais dependem de um conjunto em plena cooperação como: humor e disposição de pessoas em primeiro plano e em alguns casos em segundo plano; espaço-tempo; em outras vezes a grana ajuda; etc., essas seriam as que julgo como  principais, variando de casos e ações.

  Enfim, aproveite a vida, os momentos, e as pessoas, sem especialismo e planos desnecessários. Não sabemos quando será nosso dia final, e quando poderá acontecer um imprevisto infeliz. Tentemos ser mais compreensivos e menos cobrantes para com as pessoas, não sabemos como elas se sentem e como seus cérebros realmente funcionam.




domingo, 25 de maio de 2014

Qual é a herança que deixaremos para a próxima geração?

   Todos temos nossas próprias ideias e opiniões acerca do mundo e da sociedade: ideologias e crenças que aprendemos sozinhos e/ou que herdemos. O modo como captamos isso, a forma de aceitação ou discordância, mostrará se seremos mais céticos ou mais crédulos.
 
   Um exemplo prático é o catolicismo. A maioria dos habitantes desse país é católica, e como tal, ensinará costumes e crenças que aprendeu aos seus filhos, eles querendo ou não. Quando crianças, não temos nossa própria opinião acerca de muitos assuntos, principalmente a religião, e aceitamos da forma mais crédula possível.
 
   Por causa do costume e a acomodação, ao crescer fisicamente e psicologicamente, muitas pessoas não tendem a ir em busca de outras religiões, tentar entender a ideologia delas, ao menos pensar se a qual segue é realmente necessária para o entendimento da própria vida, aceitando como a sua a principal e única verdadeira, e, muitas vezes, defendendo-a de forma freneticamente alienada.
 
   Religião realmente é algo muito difícil de entender, não é somente indo as reuniões e praticando os rituais que teremos entendimento. Se formos alienados principalmente nesse assunto, seremos facilmente manipulados pelas pessoas que tem o poder da retórica, seremos somente mais um peixinho na rede.
 
   Já parou para pensar o que vai ensinar aos seus filhos, ou futuros filhos? Se eles vão aceitar credulamente ou ceticamente? Você vai ensinar o que acha que é melhor, ou vai ensinar o que é o melhor? Vai deixar escolhas?
 
   Aprendemos muitas coisas com os nossos pais, coisas que eles acham que é melhor para nós e algumas coisas que na forma de educar que discordamos, achamos erradas. Nenhuma família é "perfeita", todas têm seus altos e baixos, principalmente quando os filhos já estão grandes o suficiente para reclamar seus direitos e ter suas próprias opiniões. 
 
   De início, muitos pais irão se revoltar com muitas escolhas dos filhos, nessa "reclamação por liberdade", e na mudança ou pequenas alterações de personalidade, porque eles já não têm mais o controle da situação, seus filhos já cresceram de muitas formas e eles ainda o querem como antes. Muitos jovens não aguentam a pressão e acabam fazendo bobagens pelo que era somente a aceitação e/ou entendimento inicial dos pais.
 
   Muitos têm a ideia errônea de que criar um filho é somente cuidá-lo e protegê-lo de todos os caprichos do mundo, querê-lo como sua cópia perfeita, mas não, criar um filho é formar mais um humano capaz de fazer o imprevisível, de ser o imprevisível, e principalmente mudar as coisas ao redor.
 
  Alguns pais se culpam pelo que os filhos se tornaram de ruim e/ou algo que não gostam, atribuindo à possibilidade de ser uma falha na educação. Mas isso é também a forma com que os filhos absorveram algumas ideologias ou ideais, achando que as absorvendo diminui ou cicatriza toda uma mágoa que poderiam ter sofrido na infância ou na adolescência.
 
   Querer que o filho pense como os pais, não os deixando escolhas e brechas, é privar de toda a liberdade que eles têm direito, de ser um possível humano brilhante, gênio, e principalmente uma pessoa melhor para com as outras. Cada pessoa tem uma característica única, é o que faz com que sejamos diferentes. Não queira que alguém seja igual a você, é desperdício de tempo. 
 
  Deixe de herança o melhor para seus filhos, mas seja aberto também a discordâncias e críticas construtivas, porque todos temos falhas em alguns aspectos. Não queira dar a mesma educação que recebeu, existem épocas, pessoas e situações diferentes.